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A crise no Oriente Médio pode atrair grandes quantidades de capital privado para o país, afirma o economista Raúl Ovalle

O especialista, no entanto, alerta que os preços dos materiais de construção podem sofrer pressão se o conflito continuar

SANTO DOMINGO – O conflito no Oriente Médio não é apenas uma crise geopolítica distante. Para a República Dominicana, ele tem dois lados: uma ameaça concreta aos custos de importação e uma oportunidade inesperada de atrair capital privado de alto patrimônio em busca de refúgios seguros, explicou o economista Raúl Ovalle, que descreveu a geografia do problema com números.

O Estreito de Ormuz, o gargalo que liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, movimenta 20% do petróleo mundial. No ano passado, 100 navios por dia passavam por esse estreito. Hoje, apenas 20 a 30 o atravessam. O resultado é previsível: o mercado de petróleo bruto está operando com um déficit de oferta de quase 15%, e o preço está subindo. O WTI fechou abril acima de US$ 100 o barril, segundo o Banco Central.

Mas o petróleo não é a única mercadoria em risco. Trinta por cento dos fertilizantes do mundo também passam por essa região, e para um país que importa grande parte de seus fertilizantes, como a República Dominicana, um conflito prolongado poderia levar à inflação de alimentos.

Portanto, como destacou Ovalle, o anúncio presidencial de subsidiar fertilizantes foi uma medida sábia e muito aguardada. Isso é agravado pelo aumento do custo do aluguel de um contêiner de 40 pés e pelo fato de os navios estarem chegando mais tarde e a preços mais altos.

Para o setor da construção, em particular, esse aumento no custo dos insumos importados representa um desafio que já foi vivenciado há alguns anos e que pode se repetir.

No entanto, Ovalle também vê uma oportunidade em meio ao caos. Durante décadas, existiu na região um contrato social implícito que garantia a estabilidade: as monarquias do Golfo mantinham a paz interna, continham o Irã e protegiam Israel.

Mas esse contrato foi quebrado. E quando a estabilidade se desfaz em uma região que abriga algumas das maiores fortunas privadas do mundo, esse capital se desloca.

A região de Cibao poderia gerar mais riqueza

“Indivíduos com patrimônio líquido ultra-elevado (aqueles com grandes fortunas privadas) nessa região estão buscando novos refúgios seguros”, explicou o economista. “E temos áreas no norte do país que são atraentes para esse tipo de investidor: segurança jurídica, facilidade para se estabelecer, comprar casas e proteção patrimonial.”.

Nesse contexto, Ovalle defendeu que a crise seja vista não apenas como uma ameaça, mas como uma janela de oportunidade para posicionar a República Dominicana, e em particular o norte do país, como um destino de investimento para um dos mercados mais exclusivos e ricos do mundo.

A região do Cibao já responde por um terço do PIB nacional, abriga metade das zonas francas e seu PIB per capita supera o da Colômbia, razão pela qual o economista Raúl Ovalle a chama de "o gigante que já despertou".

No ritmo atual de crescimento, a região de Cibao poderá ultrapassar o PIB de Santo Domingo em menos de uma década, afirma Ovalle, insistindo que não se trata de uma projeção especulativa, mas sim aritmética, e apresentou os números que sustentam sua projeção.

"Um em cada três dólares produzidos na República Dominicana é produzido na região de Cibao", e ele também estimou o PIB dessa região em cerca de US$ 41 bilhões, enquanto o da capital ultrapassa US$ 128 bilhões.

Ele afirmou que a diferença é grande, mas o que importa é a velocidade: a região de Cibao está crescendo a um ritmo que, mantido ao longo do tempo, levaria essa região a gerar mais riqueza do que toda a capital em aproximadamente oito anos.

Entre outros motivos, ele citou que o PIB per capita da região do Cibao supera o da Colômbia; que um em cada três empregos no país é gerado nessa região; que 40% das remessas recebidas pela República Dominicana são consumidas lá; e que metade das zonas francas do país estão localizadas nessas duas regiões, a Grande Santo Domingo e o Cibao.

Segundo Ovalle, Cibao garantiu que ninguém passasse fome durante a pandemia, e por isso recebeu uma ovação de pé da plateia na convenção Reunidos 2026 da RE/MAX República Dominicana.

"Tem dimensão, tem crescimento e possui um ecossistema produtivo com um peso muito significativo na economia nacional", resumiu o economista.

Investimento estrangeiro

Em termos de investimento estrangeiro direto, a região de Cibao recebe centenas de milhões de dólares anualmente. Os setores que atraem esse investimento sem precedentes em todo o país são turismo, energia, água e imobiliário.

E Ovalle prevê que, a médio prazo, a pressão sobre o investimento no país continuará a crescer: "Simplesmente aumentando nossa participação de mercado, acabaremos recebendo mais investimentos", afirmou.

De acordo com o economista, a região do Cibao não deve ser vista apenas como um polo produtivo, mas como o eixo de uma transformação regional mais ampla, já que, juntamente com a Grande Santo Domingo, forma um ecossistema de oportunidades que poucas economias de porte semelhante podem oferecer na América Latina: estabilidade macroeconômica, diversificação setorial, infraestrutura crescente e uma classe média em expansão.

"Imagino uma região que, juntamente com Santo Domingo, concentrará um grande número de oportunidades de crescimento", concluiu Ovalle, acrescentando: "O Cibao não é o futuro. Já é o presente.".

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Solangel Valdez
Solangel Valdez
Jornalista, fotógrafa e especialista em relações públicas. Aspirante a escritora, leitora, cozinheira e viajante.
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