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Quanto custa morar à beira-mar na República Dominicana?

O país está em um momento decisivo: infraestrutura turística consolidada, demanda estrangeira crescente e preços ainda abaixo dos praticados em outros destinos caribenhos e latino-americanos

SANTO DOMINGO – A República Dominicana consolidou sua posição entre 2022 e 2025 como um dos mercados imobiliários costeiros mais dinâmicos do Caribe hispânico, impulsionada pelo crescimento do turismo, investimentos estrangeiros e pela expansão de projetos residenciais voltados para compradores internacionais, segundo dados do Banco Central e do Ministério do Turismo.

A chegada recorde de visitantes, o crescimento sustentado do investimento turístico e a expansão de corredores como Punta Cana, Cap Cana e Las Terrenas transformaram o mercado costeiro dominicano em um dos polos imobiliários mais ativos da região. Somente em 2025, a República Dominicana ultrapassou a marca de 11 milhões de visitantes que chegaram por via aérea e marítima, segundo dados oficiais do Ministério do Turismo.

Ao contrário de outros destinos caribenhos onde o ciclo de valorização já atingiu níveis consolidados, os preços na República Dominicana ainda permanecem abaixo de mercados comparáveis ​​como Cancún, Cartagena ou Punta del Este, especialmente fora dos enclaves de ultraluxo.

Empresas imobiliárias internacionais e portais especializados consultados para este relatório mostram que o país mantém um dos custos de entrada mais competitivos da região para imóveis à beira-mar.

Este guia analisa os preços atuais nas principais áreas costeiras da República Dominicana, utilizando ofertas ativas publicadas entre março e maio de 2026 em portais imobiliários nacionais e internacionais, como Properstar República Dominicana, Remax República Dominicana e Coldwell Banker DR, em comparação com referências cadastrais da Direção-Geral de Impostos Internos (DGII) e dados macroeconômicos do Banco Central.

Os valores correspondem principalmente a apartamentos e moradias em frente à praia e na segunda fila, expressos em dólares americanos. O preço final de venda pode ser entre 5% e 15% inferior ao preço pedido, dependendo da localização, liquidez e idade do imóvel, de acordo com agentes imobiliários consultados.

Antes de consultar os preços

Nem todos os preços por metro quadrado significam a mesma coisa. No mercado imobiliário dominicano, coexistem três parâmetros diferentes:

  • Preço pedido: o valor publicado por vendedores e construtoras em portais imobiliários.
  • Preço cadastral: o valor fiscal registado pela DGII para efeitos fiscais.
  • Preço final: o valor real declarado no Registro de Títulos no momento da venda.

O mercado dominicano continua a operar principalmente com base nos preços de oferta devido à limitada disponibilidade pública de preços de fechamento consolidados. Por esse motivo, este guia utiliza faixas de mercado construídas a partir do inventário ativo e de comparações regionais.

Tabela comparativa: preço por metro quadrado de terreno à beira-mar na República Dominicana

ÁreaMínimo /m²Máximo/m²Média por m²Perfil do comprador
Cabo CanaUS$ 2.800US$ 6.500US$ 4.300Americanos e europeus com alto patrimônio líquido
Punta Cana / BávaroUS$ 1.600US$ 3.800US$ 2.450Investidor em imóveis de férias e comprador de imóveis para aluguel de curta duração
Casa de campo / La RomanaUS$ 2.500US$ 7.500US$ 4.900Comprador de altíssimo padrão e segunda residência
Las TerranasUS$ 1.700US$ 3.900US$ 2.650Expatriados europeus e aposentados residentes
CabaréUS$ 1.200US$ 2.800US$ 1.850Jovem comprador e investidor de risco moderado
Juan DolioUS$ 1.100US$ 2.600US$ 1.700Diáspora dominicana e segundas residências
MichesUS$ 900US$ 2.200US$ 1.450Investidor especulativo e projetos na planta

Fonte: Elaborado pelo autor utilizando dados agregados de El Inmobiliario.do, Properstar, Remax RD, Coldwell Banker DR, Sotheby's International Realty e referências cadastrais da DGII consultadas entre março e maio de 2026.

Como isso pode ser explicado?

Cap Cana: mercado de luxo no Caribe

Cap Cana se tornou o principal mercado imobiliário de luxo do país. A combinação de praia privativa, marina, campos de golfe projetados por Jack Nicklaus e condomínios fechados de baixa densidade elevou o preço médio por metro quadrado a níveis comparáveis ​​aos de destinos premium no Caribe mexicano.

A procura estrangeira acelerou após a pandemia, impulsionada por compradores americanos e europeus interessados ​​em segundas residências e imóveis para arrendamento de curta duração. O número de imóveis disponíveis à beira-mar começou a diminuir à medida que novos projetos eram comercializados antes da conclusão da construção, de acordo com publicações da Sotheby's International Realty e da Coldwell Banker DR.

Punta Cana e Bávaro: o motor do volume

Punta Cana e Bávaro concentram o maior volume de transações imobiliárias do país. O corredor turístico oferece uma variedade de opções, incluindo estúdios voltados para o Airbnb, condomínios familiares e vilas à beira-mar.

A construção massiva de empreendimentos na planta mantém uma pressão moderada sobre os preços nos segmentos intermediários, embora os imóveis à beira-mar já concluídos ultrapassem US$ 3.000 por m² em diversos resorts, segundo publicações da Inmobiliario.do, Remax RD e Century 21 Caribbean.

O crescimento do aeroporto de Punta Cana e a conectividade aérea direta com os Estados Unidos, Canadá e Europa continuam sendo um dos principais fatores de valorização, segundo estatísticas do Ministério do Turismo e do Banco Central.

Casa de Campo e La Romana: o mercado mais exclusivo

Casa de Campo opera em uma categoria distinta dentro do mercado dominicano. O condomínio fechado desenvolveu um modelo de ultraluxo associado a golfe, polo, marina e grandes vilas, visando compradores internacionais de alto poder aquisitivo.

Os preços são menos sensíveis ao ciclo econômico local e mais à escassez de imóveis de alto padrão dentro do complexo. Em algumas áreas, as vilas à beira-mar ultrapassam facilmente os US$ 7.000 por metro quadrado, de acordo com anúncios internacionais da Sotheby's e da Christie's Real Estate.

Las Terrenas: o mercado europeu da República Dominicana

Las Terrenas desenvolveu uma dinâmica diferente do resto do mercado turístico nacional. Desde a década de 1990, a região atrai uma comunidade europeia estável, principalmente francesa e italiana, o que fomentou um modelo residencial mais orientado para estadias de longa duração do que para a especulação imobiliária.

O crescimento dos preços foi constante, mas mais moderado do que em Punta Cana. Os agentes imobiliários consultados concordam que o mercado mantém uma demanda mais orgânica e é menos dependente de aluguéis de temporada intensivos.

A infraestrutura rodoviária limitada da península também funciona como uma barreira natural ao crescimento acelerado. Essa mesma limitação ajudou a preservar o caráter residencial e a baixa densidade urbana da área.

Cabarete e Juan Dolio: as portas de entrada

Cabarete e Juan Dolio continuam sendo as áreas costeiras com os preços mais acessíveis dentro do mercado estabelecido.

Juan Dolio atraiu uma parcela significativa da diáspora dominicana interessada em segundas residências perto de Santo Domingo, enquanto Cabarete mantém um forte apelo entre estrangeiros ligados a esportes aquáticos e à vida comunitária internacional.

O preço mais baixo por metro quadrado e a chegada de novos projetos residenciais fazem desses mercados alguns dos que apresentam maior potencial de valorização relativa na próxima década, segundo incorporadoras consultadas pelo Inmobiliario.do.

Miches: a aposta emergente

Miches representa o mercado emergente mais acompanhado por promotores turísticos e investidores imobiliários na República Dominicana. A construção de novos complexos hoteleiros, a expansão das estradas na zona leste e a disponibilidade de extensas faixas litorâneas colocaram a região no radar internacional.

Diferentemente de Punta Cana ou Cap Cana, onde grande parte do litoral nobre já foi urbanizada, Miches ainda mantém preços de entrada relativamente baixos e uma ampla gama de terrenos disponíveis e projetos na planta. Isso explica o crescente interesse de investidores que buscam valorização a longo prazo em vez de retornos imediatos.

O desenvolvimento turístico da região ainda está em fase inicial, o que implica maior risco operacional e menor liquidez em comparação com mercados mais maduros.

No entanto, Miches está se consolidando como um dos corredores com maior potencial de crescimento no Caribe dominicano na próxima década, impulsionado por novos projetos hoteleiros e melhorias na conectividade terrestre com Punta Cana e Santo Domingo, de acordo com dados do Ministério do Turismo.

Benefícios dos aluguéis de temporada

O atrativo do mercado imobiliário costeiro dominicano não depende exclusivamente da valorização imobiliária. Os aluguéis de temporada continuam sendo um dos principais impulsionadores de compras em áreas turísticas.

Dados divulgados por plataformas como AirDNA, Airbnb e empresas de gestão imobiliária locais mostram que apartamentos bem localizados podem atingir taxas médias de ocupação anual entre 55% e 70%, dependendo da região e do tipo de imóvel.

ÁreaAluguel por noite durante a alta temporadaAluguel por noite, baixa temporadarendimento anual estimado.ocupação média
Cabo CanaUS$ 350 - US$ 900US$ 220 - US$ 5006%-9%68%
Punta Cana / BávaroUS$ 180 - US$ 450US$ 110 - US$ 2507%-10%70%
Casa de campo / La RomanaUS$ 500 - US$ 1.500US$ 300 - US$ 8005%-8%58%
Las TerranasUS$ 160 - US$ 420US$ 100 - US$ 2406%-8%62%
CabaréUS$ 120 - US$ 300US$80-US$1807%-9%60%
Juan DolioUS$ 100 - US$ 260US$70-US$1506%-8%57%
MichesUS$ 140 - US$ 320US$ 90 - US$ 1807%-10%54%

Fonte: estimativas elaboradas com base em dados da AirDNA, Airbnb, VRBO, empresas de gestão de férias e publicações ativas consultadas entre março e maio de 2026.

República Dominicana na região

Considerando o contexto regional, o mercado dominicano ainda mantém preços mais baixos do que diversos destinos turísticos consolidados na América Latina e no Caribe.

Destino Área média em metros quadrados à beira-mar

Cancún, México: US$ 2.500 a US$ 6.000

Guanacaste, Costa Rica US$ 2.000 - US$ 4.500

Cartagena, Colômbia US$ 1.800 - US$ 4.000

Bocas del Toro, Panamá US$ 900-US$ 2.200

Punta del Este, Uruguai US$ 2.500-US$ 7.000

República Dominicana: US$ 1.100 - US$ 7.500

Fontes: Properstar, Sotheby's Realty, Realtor.com, portais imobiliários internacionais e regionais consultados em maio de 2026.

A República Dominicana combina infraestrutura turística consolidada, conectividade aérea direta com os Estados Unidos e a Europa, estabilidade macroeconômica e um arcabouço legal aberto à propriedade estrangeira.

Essa equação explica por que o país continua atraindo investimentos imobiliários internacionais, mesmo em um contexto global de altas taxas de juros.

Os cinco fatores que irão impulsionar os preços em 2026

  • Proximidade do mar: a diferença entre a primeira e a segunda linha pode aumentar o preço em até 40%.
  • Comodidadescomo piscina, marina, golfe, spa e segurança privada agregam entre 20% e 35% ao valor base.
  • Situação do projeto: os imóveis na planta geralmente são vendidos com um desconto entre 15% e 25% em relação ao preço final de entrega.
  • Infraestrutura: estradas, água potável e estabilidade elétrica impactam diretamente o valor dos imóveis.
  • Demanda externa: mercados com maior presença internacional conseguem sustentar melhor os preços durante ciclos de desaceleração.

O país ainda se encontra em uma fase de expansão imobiliária, na qual diversos mercados costeiros mantêm um potencial significativo de valorização em comparação com outros destinos no Caribe e na América Latina.

Embora Cap Cana, Punta Cana e Casa de Campo já funcionem como destinos turísticos de luxo consolidados, áreas como Las Terrenas, Cabarete e Juan Dolio mantêm preços relativamente baixos para os padrões regionais, atraindo compradores que priorizam o potencial de valorização a longo prazo e menores barreiras de entrada.

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Solangel Valdez
Solangel Valdez
Jornalista, fotógrafa e especialista em relações públicas. Aspirante a escritora, leitora, cozinheira e viajante.
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