Em Wajima, uma cidade costeira a 60 km ao norte de Shika, um bairro inteiro de casas de madeira foi destruído pelas chamas.
Extraído de La Opinión
Equipes de resgate japonesas lutavam na quarta-feira (03/01/2024) para encontrar sobreviventes em meio a fortes chuvas e risco de deslizamentos de terra, após o poderoso terremoto que deixou pelo menos 64 mortos no Japão.
O terremoto de magnitude 7,5 ocorrido em 1º de janeiro abalou a província de Ishikawa, na ilha principal de Honshu, provocando um tsunami, um incêndio e destruindo estradas.
A península de Noto foi a mais atingida, com vários edifícios consumidos pelo fogo e casas destruídas.
O governo regional anunciou na noite de terça-feira que 64 pessoas tiveram suas mortes confirmadas e 22 ficaram gravemente feridas.
Mas teme-se que o número de mortos aumente à medida que os trabalhadores vasculham os escombros em meio ao mau tempo e aos tremores secundários.
Mais de 31.800 pessoas estavam em abrigos.
O governo do primeiro-ministro Fumio Kishida tinha agendada uma reunião de emergência para a manhã de quarta-feira para discutir a resposta à tragédia.
Na noite de quarta-feira, Kishida insistiu que "é uma corrida contra o tempo", dado o número de pessoas presas nos prédios que desabaram, de acordo com a NHK.
A Agência Meteorológica do Japão (JMA) emitiu um alerta de fortes chuvas para Noto, aumentando a urgência das operações de emergência. "Fiquem atentos a possíveis deslizamentos de terra até a noite de quarta-feira", informou a agência.
Cidade de Suzu devastada
Na cidade costeira de Suzu, o prefeito Masuhiro Izumiya afirmou que "quase nenhuma casa permanece de pé".
“Quase 90% das casas (na aldeia) estão total ou quase totalmente destruídas. A situação é verdadeiramente catastrófica”, afirmou o prefeito, citado pela emissora TBS.
Uma mulher em um abrigo na cidade de Shika disse à TV Asahi que não conseguia dormir por causa dos tremores secundários. "Estou com medo porque não sabemos quando será o próximo terremoto", disse ela.
O oeste do Japão registrou mais um tremor secundário de magnitude 5,5 na quarta-feira, por volta das 10h54, horário local (3h13, horário da Europa Central), a uma profundidade de 10 km, com epicentro na Península de Noto, na província de Ishikawa, assim como o tremor de segunda-feira, segundo a Agência Meteorológica do Japão (JMA), que não emitiu alerta de tsunami.
De acordo com a empresa de energia local, quase 34.000 residências permaneceram sem eletricidade na província de Ishikawa, enquanto diversas cidades ficaram sem água.
Trens de alta velocidade e rodovias foram reabertos após milhares de pessoas ficarem retidas, algumas por até 24 horas.
O terremoto teve magnitude de 7,5, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, enquanto a Agência Meteorológica do Japão (JMA) registrou magnitude de 7,6.
Filas enormes para conseguir água e comida
Na pequena cidade de Shika, centenas de moradores formaram fila em frente à prefeitura na terça-feira, na esperança de receber os seis litros de água destinados a cada pessoa, já que a rede de água potável, assim como em muitas outras cidades da península de Noto, estava danificada.
Muitos outros habitantes da península não tiveram a mesma sorte. Vários edifícios e casas desabaram em consequência dos tremores.
Em Wajima, uma cidade costeira a 60 km ao norte de Shika, um bairro inteiro de casas de madeira foi destruído pelas chamas.
Nesta península rural, situada entre as montanhas e o mar, o acesso dos serviços de emergência é difícil em toda a parte devido a estradas danificadas, desmoronadas ou bloqueadas por deslizamentos de terra.
Uma calma incomum reina nas ruas das cidades visitadas pelos jornalistas da AFP, que também viram muitos veículos presos em rachaduras no asfalto.
Os moradores também estão formando filas em frente aos supermercados para estocar produtos, embora algumas lojas estejam fechadas devido à falta de suprimentos. "Estamos fechados hoje. Estamos evacuando", diz uma placa na entrada de um desses estabelecimentos.
Foto da capa: Equipes de resgate se preparam para iniciar as operações em um prédio que desabou em Wajima, província de Ishikawa. Crédito: Kyodo News/AP Photo/Picture Alliance | Wikimedia Commons




