SANTO DOMINGO- Mérid Torres, diretor da Unidade Técnica de Titulação de Terras do Estado (UTECT), compareceu ontem perante a Procuradora-Geral da República, Mirian Germán Brito, para se colocar à disposição da justiça e ser investigado em relação ao caso Calamar, no qual consta que ele recebeu RD$ 32.065.992 do ex-Ministro da Fazenda, Donald Guerrero, pelo pagamento de um terreno onde atuava como advogado.
O funcionário permaneceu no gabinete do Procurador-Geral por mais de uma hora. Ao sair, não forneceu mais detalhes sobre sua conversa com Germán Brito.
“Solicitei uma audiência referente ao assunto em questão. Discutimos o assunto, o que gostaríamos de discutir com o magistrado a respeito do caso, e foi por isso que solicitei autorização para me disponibilizar à investigação, caso fosse necessário”, disse Torres, após esclarecer que não foi intimado, mas compareceu voluntariamente.
Ele explicou que, após conversar com o Procurador-Geral, iria ao escritório de Milagros Ortiz, Diretora de Ética e Integridade Governamental (DIGEIG), para discutir seu caso.
Menção
De acordo com o pedido de medidas coercitivas na Operação Calamar, especificamente nas páginas 149, 152 e 153, o atual diretor da UTECT consta como um dos beneficiários, com valores que chegam a mais de 32 milhões de pesos, referentes à expropriação de terras públicas.
A investigação conduzida pela Procuradoria Especializada para o Combate à Corrupção Administrativa (PEPCA) indica que o funcionário e candidato a prefeito pelo Partido Revolucionário Moderno (PRM) é o "suposto proprietário", juntamente com outras pessoas, de uma porção de terra no lote 613, do Distrito Cadastral número 32, município de Boca Chica, província de Santo Domingo; coberto pelo título de propriedade 46572, com uma área de superfície de 168.966,00 metros quadrados, expropriado pelo decreto nº 1159, datado de dezenove (19) de setembro do ano de 1955.
Disposto a colaborar
O funcionário manifestou a sua disponibilidade para cooperar com o sistema judicial, se necessário, e afirmou repetidamente que não recebeu dinheiro do Estado Dominicano, mas sim o pagamento dos seus honorários profissionais por parte dos clientes do caso tratado pelo seu escritório de advocacia privado, bem como o resultado de um acordo.
Ele afirma que essas são acusações caluniosas e que processará aqueles que o difamaram. "Estou disposto a ser investigado em relação aos casos mencionados. Hoje, denuncio à nação que fui vítima de uma campanha difamatória e caluniosa, e anuncio que tomarei medidas legais contra aqueles que mancharam meu bom nome e nossa honra, difamando a mim e à minha família", disse o oficial em uma coletiva de imprensa em 4 de abril.
Torres informou que estava se afastando de seu cargo após ter sido citado no processo em que Donald Guerrero, José Ramón Peralta e Gonzalo Castillo são os principais réus e para os quais a juíza Kenya Romero decretou 18 meses de prisão preventiva em 4 de abril.
A ex-vice-presidente Milagros Ortiz Bosch afirmou que Torres tinha um processo pendente na instituição que dirige, datado de dois meses atrás.




