Ele afirma que o presidente Luis Abinader prometeu uma lei de aluguel atualizada.
SANTO DOMINGO - A Associação Dominicana de Construtores e Incorporadores Imobiliários (Acoprovi) mantém a esperança de que suas observações sobre o projeto de lei de Locações e Despejos de Imóveis, que atualmente tramita na Câmara dos Deputados, sejam levadas em consideração quando o projeto for retomado na atual legislatura.
A declaração foi feita por Annerys Meléndez, presidente da entidade, que destacou ser também uma promessa feita pelo Presidente da República, Luis Abinader, durante a 8ª mesa-redonda sobre habitação realizada no ano passado, onde o presidente prometeu uma lei de arrendamento atualizada.
“Esperamos que a Câmara dos Deputados renove sua visão e conhecimento para que possa analisar esta versão preliminar e também incluir algumas observações fundamentais que nós, da Acoprovi, fizemos, que são especificamente quatro”, explicou a empresária.
Meléndez afirmou que, embora a proposta tenha expirado na última legislatura, há a promessa de que ela será reapresentada para análise pela Câmara dos Deputados.
O projeto de lei foi aprovado pela segunda vez em primeira leitura, em 25 de julho deste ano, pela Câmara dos Deputados, mas sua validade expirou, sendo necessário reconsiderá-lo. Foi de autoria de Alfredo Pacheco, deputado do Partido Revolucionário Moderno (PRM) e atual presidente da Câmara dos Deputados.
“Temos esperança de que a qualquer momento possamos retomar as avaliações, que os pontos sejam incluídos e que possamos revolucionar o mercado de locação na República Dominicana”, declarou Meléndez, ao responder perguntas durante o fórum “Lei de Locação e Mercado de Locação: Um Novo Modelo de Negócio Imobiliário na República Dominicana”, realizado por essa entidade na semana passada em um hotel na capital dominicana.
Ele afirmou que, durante o processo de transição, após vencer as eleições nacionais, Abinader reiterou a promessa de que, durante seu mandato, o país teria uma lei de aluguel moderna.
Os pontos solicitados
Em uma carta enviada a membros do parlamento em junho do ano passado, a Acoprovi alertou que a regulamentação dos aumentos de aluguel por lei faria com que os proprietários de imóveis estabelecessem preços de aluguel altos ao elaborar os contratos, "tentando se proteger do risco" que a regulamentação representaria para suas finanças.
A associação respondeu a uma proposta do Ministério da Habitação, Habitat e Edificações (Mivhed). Argumentou que preços de aluguel elevados não se traduziriam necessariamente em estruturas habitacionais de maior qualidade.
Além disso, o sindicato explicou que controlar os aumentos de aluguel por meio de uma lei limita o direito à propriedade, que está consagrado no Artigo 51 da Constituição e que afirma que toda pessoa tem o direito ao gozo e à disposição de sua propriedade.
Na mesma carta, a associação de construtores salientou que a Mivhed pretende "regular em excesso" aspetos como o conteúdo dos contratos de arrendamento, apesar de a jurisprudência, o costume e o direito civil "terem estabelecido um bom funcionamento neste aspeto".
Em detalhe, a comissão especial de deputados que estudou o projeto de lei sobre arrendamentos deu liberdade ao inquilino e ao senhorio para acordarem "como bem entenderem" sobre o término do contrato de arrendamento, enquanto o Mivhed propõe que o prazo para a celebração do contrato seja comunicado com três meses de antecedência.
Neste ponto, a Acoprovi considera que este aspecto limita a liberdade contratual dos contratos entre o proprietário e o inquilino, que o Congresso "reafirma com realidade e consciência jurídica".
Habitação transitória
A instituição também tomou nota da proposta do Ministério da Habitação e Desenvolvimento Urbano (MIVHED) de criar um fundo para fornecer habitação transitória para aqueles que possam comprovar que não têm condições de pagar o aluguel, e considerou que a proposta deveria incluir períodos de tempo limitados para residência na habitação temporária.
Acoprovi também esclareceu que esta proposta deve ser incluída em uma nova Lei da Habitação, e não no projeto de lei do Congresso que busca regular os aluguéis, visto que é o Estado o responsável por garantir o direito constitucional à moradia digna. O Ministério da Habitação e Desenvolvimento Urbano (MIVHED) também busca estabelecer um programa para fornecer assistência jurídica aos inquilinos.




