A entrada maciça de sargaço representa também um desafio para a indústria do turismo, especialmente para os estabelecimentos localizados nas zonas costeiras do leste do país
SANTO DOMINGO – O sargaço continua a aumentar a sua presença na costa da República Dominicana e, embora tradicionalmente os maiores influxos se tenham concentrado no Mar das Caraíbas, o fenómeno está a estender-se em direção ao Atlântico e representa um desafio para as comunidades costeiras e para o setor turístico.
A questão foi explicada pelo Subministro dos Recursos Costeiros e Marinhos do Ministério do Ambiente, José Ramón Reyes, que pediu ainda que se evite o contacto direto com grandes concentrações destas algas, sobretudo quando permanecem na costa e começam a decompor-se.
Riscos para a saúde
Reyes referiu um vídeo gravado recentemente em Gran Calera, Samaná, no qual se pode ver um grupo de crianças a brincar no meio de uma grande quantidade de sargaço.
“Principalmente por causa do vídeo que vimos das crianças em Gran Calera, isto deve ser evitado”, alertou o responsável.
Explicou que o sargaço acumulado na costa e em processo de decomposição pode representar um risco, sobretudo para pessoas com feridas ou cortes.
“Isto pode causar problemas de saúde. Para alguém que tenha um corte, como o sargaço já está em decomposição, as algas marinhas na costa também estão a decompor-se e libertam muitos líquidos e metais pesados”, disse.
Indicou ainda que a exposição pode causar reações alérgicas e chamou a atenção para os odores que as algas exalam quando começam a decompor-se.
“Aquele cheiro que se exala, aquele cheiro inalado por dentro, como aconteceu com aquelas crianças, pode causar riscos para a saúde”, disse.
Hotéis enfrentam o impacto do sargaço
A entrada maciça de sargaço representa também um desafio para a indústria do turismo, especialmente para os estabelecimentos localizados nas zonas costeiras do leste do país.
Reyes explicou que os hotéis devem implementar medidas para proteger as suas zonas de praia e remover as algas que chegam às margens.
“Aqui no leste, temos a situação em que as crianças dos hotéis têm de sair dos seus abrigos e limpar o sargaço”, disse.

José Ramón Reyes, Vice-Ministro dos Recursos Costeiros e Marinhos do Ministério do Ambiente. (Fonte externa).
A acumulação destas algas exige uma limpeza regular das praias e representa um desafio para os destinos que dependem da sua costa como uma das suas principais atrações turísticas.
Um problema que transcende a República Dominicana
O vice-ministro insistiu que o sargaço não deve ser analisado apenas como um problema dominicano, uma vez que afecta numerosos territórios nas Caraíbas e começou também a ser observado noutras regiões.
“Temos um problema global que afeta muito a região das Caraíbas”, afirmou.
Como exemplo da expansão do fenómeno, citou o caso de Espanha. "Na Galiza, em Espanha, o sargaço está a chegar. Não é o mesmo tipo que temos aqui, mas o sargaço está a chegar", explicou.
Reyes salientou ainda que toda a região das Antilhas está a enfrentar o fenómeno, pelo que os seus efeitos devem ser analisados numa perspetiva regional.
“Isto vai ser um problema para toda a região. Toda a ilha, todo o arquipélago das Antilhas, está a sofrer com isto”, disse.
O sargaço desempenha uma função no ecossistema
O responsável esclareceu que o sargaço não é inerentemente prejudicial. Pelo contrário, é uma alga que desempenha um papel no ecossistema marinho.
“O sargaço não é mau. É uma alga viva que oferece abrigo”, explicou.
Segundo Reyes, o problema surge quando as condições ambientais favorecem uma proliferação extraordinária e grandes quantidades destas algas acabam por chegar e acumular-se na costa.
O aquecimento global favorece a sua proliferação
Entre os fatores relacionados com o aumento do sargaço, o vice-ministro apontou o aquecimento global e a disponibilidade de nutrientes nos oceanos.
“Com o aquecimento global… os fertilizantes utilizados na terra, principalmente no Brasil e nestes países… em África, a mineração, o pó do Saara, bem, o sargaço encontra nutrientes”, disse.
Na sua opinião, o aumento da temperatura também favorece um crescimento acelerado destas algas.
“Com o aquecimento global, a sua produção duplica. Chega a duplicar a cada 20 dias, a sua massa duplica”, afirmou.
37,5 milhões de toneladas em todo o mundo
Reyes destacou ainda a magnitude que o fenómeno atingiu e apontou que atualmente existem grandes quantidades de sargaço distribuídas por todo o oceano.
“Neste momento, segundo cálculos da NOAA e dados de satélite, existem aproximadamente 37,5 milhões de toneladas”, disse.
A República Dominicana tem vindo a receber fluxos migratórios maciços há mais de uma década
Embora o sargaço tenha estado sempre presente nas águas da região, Reyes explicou que a sua chegada em massa às costas dominicanas começou a tornar-se mais evidente entre 2008 e 2011.
“O sargaço começou a aparecer por aqui, esteve sempre presente, mas começou a chegar em massa entre 2008 e 2011”, disse.
O Vice-Ministro atribuiu este aumento às alterações nos padrões de vento e nas correntes oceânicas. "Isto aconteceu quando os ventos e as correntes mudaram devido ao aquecimento dos oceanos", explicou.
Quintana Roo e Cancún enfrentam também grandes fluxos migratórios
A situação não é exclusiva da República Dominicana. Reyes citou como exemplo o impacto sofrido pelos destinos turísticos das Caraíbas mexicanas, particularmente Quintana Roo e Cancún.
“A região de Quintana Roo e Cancún recebe cinco vezes mais do que a República Dominicana”, afirmou.
A situação demonstra que os grandes influxos de algas sargassum constituem um desafio comum aos principais destinos turísticos das Caraíbas.
Para a República Dominicana, o desafio passa por manter as praias em boas condições, proteger a saúde dos residentes e visitantes e continuar a enfrentar um fenómeno que, segundo Reyes, já tem uma dimensão que transcende as fronteiras do país.
A dispersão do sargaço em direção ao Atlântico e a sua presença em diferentes zonas das Caraíbas e de outras regiões fazem deste fenómeno um desafio ambiental que tem também repercussões diretas nas comunidades costeiras e no turismo.



