Custos mais elevados, preços mais altos e maiores lucros marcaram o comportamento do setor da construção civil durante o período
SANTO DOMINGO – A rentabilidade do setor da construção civil aumentou durante o período de 2023-2024, num contexto em que a construção se tornou mais cara e esse aumento começou a refletir-se nos preços da habitação, de acordo com os resultados do Inquérito Nacional à Atividade Económica (ENAE), elaborado pelo Gabinete Nacional de Estatística (ONE).
O relatório correspondente à pesquisa aplicada no período de referência indica que os lucros cresceram tão fortemente que o lucro anual passou de RD$ 28.762,38 milhões em 2023 para RD$ 36.330,58 milhões em 2024, enquanto a rentabilidade subiu de 14,5% para 15,2%.
Esse resultado ocorreu apesar dos custos de produção já serem mais elevados naquele período. Os custos e despesas aumentaram em mais de RD$ 31 bilhões durante o período, impulsionados principalmente por materiais de construção, que sozinhos representaram 39% do gasto total em 2024.
O relatório mostra que esse aumento nos lucros se refletiu não apenas em todo o setor, mas também no nível de cada empresa individualmente. Nesse sentido, o lucro médio subiu de RD$ 43,45 milhões para RD$ 45,24 milhões, indicando que a melhoria no desempenho não se limitou ao volume total, mas se estendeu a todas as empresas.
Isso sugere que, apesar do aumento dos custos, as empresas de construção conseguiram manter margens positivas e melhorar sua capacidade de gerar lucros, apoiadas por receitas e preços mais altos que lhes permitiram absorver as pressões operacionais.
De forma geral, os dados refletem um setor que, durante o período de 2023-2024, não só expandiu a sua atividade, como também reforçou a sua rentabilidade a nível empresarial.
Como isso pode ser explicado? Parte da resposta está nos preços
Durante o período abrangido pelo ENAE 2025, o custo da habitação na cesta de consumo, medido pelo índice de preços, apresentou aumentos sustentados, indicando que viver, alugar ou adquirir um imóvel tornou-se mais caro.
Não se tratou de um salto isolado, mas de uma tendência que vinha se desenvolvendo desde o período anterior e que finalmente se consolidou entre 2023 e 2024.
Essa mudança também se refletiu no mercado imobiliário. Dados do Cadastro de Oferta de Materiais de Construção, ROE 2025-2, publicados pelo El Inmobiliario, mostram que menos casas foram vendidas, mas a preços mais altos, com o preço médio por metro quadrado ultrapassando RD$ 109.000. Em outras palavras, embora tenha havido menos transações, cada unidade gerou mais receita.
Além disso, os custos de construção continuaram a subir. O Índice de Custo Direto de Construção de Habitações registrou um aumento de 3,72% em 2025, refletindo a pressão contínua sobre insumos essenciais como cimento, aço e acabamentos.
E o resultado foi uma reação em cadeia: primeiro os custos aumentaram, depois foram repassados aos preços e, finalmente, isso se refletiu em maiores receitas por projeto.
Na prática, o setor passou a operar com uma lógica diferente: menor volume de vendas, mas maior valor por unidade. Essa combinação permitiu manter e até mesmo melhorar a rentabilidade, mesmo em um ambiente mais caro, tendência que continua em 2026, conforme noticiado pelo El Inmobiliario.
No entanto, esse mesmo processo teve um efeito colateral: com o aumento dos preços, o acesso à moradia tornou-se mais difícil para uma parcela significativa da população, direcionando o mercado para os segmentos de renda mais alta.
Em resumo, entre 2023 e 2024, a construção civil não só cresceu, como também se tornou mais cara e mais seletiva, e nesse ajuste encontrou uma forma de aumentar seus lucros.
O Inquérito Nacional à Atividade Económica (ENAE) foi elaborado pelo Gabinete Nacional de Estatística (ONE) e recolheu informações estruturais de empresas formais com 16 ou mais trabalhadores, referentes ao exercício fiscal de 2023-2024.
Leituras recomendadas:
- O setor da construção civil iniciou o ano com um crescimento homólogo de 7,6%; a economia cresceu 3,5%
- O setor da construção civil precisa se adaptar à nova realidade dos custos, afirma economista
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