SANTO DOMINGO– O Primeiro Tribunal de Instrução do Distrito Nacional foi designado para ouvir a audiência preliminar contra os irmãos Antonio e Maribel Espaillat, proprietários da boate Jet Set Club, onde, em 8 de abril deste ano, o teto do prédio desabou, deixando 236 mortos e mais de 100 feridos.
Na última sexta-feira, 8 de novembro, o Ministério Público apresentou denúncia formal e pedido de julgamento contra os irmãos Espaillat, alegando que, em suas ações como responsáveis pela administração da casa de shows localizada na Avenida Independencia, no Distrito Nacional, os irmãos Espaillat cometeram homicídio culposo e lesão corporal, crimes puníveis pelos artigos 319 e 320 do Código Penal Dominicano.
O juiz Raymundo Mejía, designado para o caso, deverá marcar a data da audiência em que a acusação apresentada pelo Ministério Público será conhecida.
Kenya Romero, juiz coordenador dos Tribunais de Instrução do Distrito Nacional, atribuiu o caso por meio de um sorteio eletrônico aleatório, de acordo com o procedimento judicial estabelecido.
De acordo com o Código Penal Dominicano, o crime de homicídio culposo acarreta pena de prisão de três meses a dois anos, enquanto as acusações por golpes e lesões corporais culposas são puníveis com pena de prisão de seis dias a dois meses.
O que diz o Ministério Público
A investigação foi realizada com base em uma instrução específica emitida pela Procuradora-Geral da República, Yeni Berenice Reynoso, que incumbiu o Diretor-Geral de Acusação e o Promotor de Justiça do Distrito Nacional de conduzir o processo criminal, a fim de determinar as causas do desabamento do teto da boate Jet Set Club.
Os promotores sustentam a acusação com centenas de provas que implicam a responsabilidade criminal dos réus.
O tribunal determinou que os réus agravaram sua responsabilidade ao sobrecarregar a estrutura do telhado do edifício com grandes unidades de ar condicionado e reservatórios de água, sem realizar estudos técnicos para garantir a resistência da estrutura. Além disso, ignoraram os alertas internos sobre a deterioração do telhado, priorizando a redução de custos apesar dos riscos óbvios.
O relatório resume as conclusões que, ao analisarem a estrutura do edifício, foram documentadas por Leonardo de Jesús Reyes Madera (engenheiro sismorresistente), Eduardo A. Fierro (presidente da BFP Engineers) e Máximo José Corominas Quezada (engenheiro patologista), nomeados pelo Ministério Público na investigação do caso.




