Obras rodoviárias começam : ex-ministro de Obras Públicas questiona falhas no transporte e na infraestrutura após apagão...

Ex-Ministro de Obras Públicas questiona falhas nos transportes e infraestrutura após apagão e tempestade Melissa


Ele solicitou uma revisão dos sistemas de manutenção e planejamento de emergência em todo o país.

SANTO DOMINGO- Ramón Pepín, ex-ministro de Obras Públicas, questionou as recentes falhas no de transporte público e em diversas infraestruturas rodoviárias do país, em decorrência dos efeitos do apagão nacional e da passagem da tempestade tropical Melissa, que expuseram deficiências no planejamento e na manutenção.

Pepín destacou que tanto o Metrô de Santo Domingo Teleférico tiveram que ativar seus sistemas de energia de reserva em resposta ao apagão da tarde de terça-feira, sistemas esses projetados para entrar em operação em situações de emergência.

“Ambos os sistemas de transporte possuem sistemas nativos que deveriam ser ativados assim que um evento como o de ontem (terça-feira) ocorre. Esperamos explicações, pois houve cidadãos que tiveram que voltar para casa a pé devido à falta de uma resposta imediata”, afirmou Pepín durante entrevista ao programa El Despertador, do Grupo SIN.

O ex-funcionário considerou a resposta oficial "tímida" e afirmou que o governo deveria ter fornecido assistência com unidades de transporte público para garantir a mobilidade dos cidadãos. "Essa assistência deveria existir em um governo que pretende servir ao seu povo", declarou.

Danos em estradas e obras rodoviárias

Pepín também abordou os danos causados ​​às estradas e encostas pela tempestade tropical Melissa, que ele atribuiu à falta de estabilização e drenagem adequada em alguns projetos de construção de estradas. Ele explicou que, em diversas áreas, o solo ficou saturado, levando a falhas estruturais.

“A primeira falha ocorreu devido à pressa em inaugurar obras que não estavam completamente concluídas. Uma encosta precisa ser estabilizada naturalmente ou mecanicamente, e, neste caso, a proteção não estava pronta quando as chuvas chegaram”, explicou ele.

O engenheiro explicou que falhas do tipo "planar", associadas a deslocamentos horizontais, foram identificadas no país e recomendou uma revisão abrangente de todas as encostas de saída nas principais rodovias e vias expressas circulares.

“Sugerimos que o Ministério das Obras Públicas realize uma revisão abrangente das encostas , pois a falta de drenagem e de proteção adequada pode causar deslizamentos de terra em caso de fenômenos como o ciclone Melissa”, afirmou

Em relação aos projetos em andamento, Pepín citou o desvio de San Francisco de Macorís, com apenas onze quilômetros de extensão, e afirmou que seu progresso tem sido mínimo desde o início. “O projeto foi iniciado e está em andamento há quase seis anos sem ser concluído. Isso evidencia um problema na execução dos investimentos”, declarou.

O ex-ministro argumentou que o baixo investimento em infraestrutura impacta diretamente a segurança e a mobilidade da população e defendeu a priorização do planejamento em projetos de construção e manutenção de estradas.

Ele também comentou que a tempestade evidenciou a falta de manutenção nas principais vias e que o remendo e reparo de buracos não devem ser considerados medidas emergenciais. “Os buracos que estão sendo tapados na Grande Santo Domingo já existiam antes do furacão Melissa. Essas são funções rotineiras da instituição, não medidas emergenciais”, afirmou.

Questões sobre gestão governamental

Pepín descreveu a declaração de emergência emitida após a tempestade como “precipitada”, argumentando que a avaliação dos danos ainda não havia sido concluída. “Essa declaração foi feita antes que os danos pudessem ser avaliados. Temos que esperar pelos relatórios técnicos para determinar as reais necessidades”, afirmou.

Ele também criticou o anúncio de novos contratos e licitações fora do cronograma estabelecido, observando que muitos desses projetos já estavam incluídos no orçamento. "Se eles estavam no orçamento, por que estão sendo colocados em licitação no final do ano?", questionou.

Ele também explicou que o viaduto na área de Pintura difere do projeto original, observando que o projeto atualé diferente. “O projeto inicial incluía uma solução diferente, mas o governo decidiu fazer alterações. Às vezes, os aspectos técnicos não são levados em consideração, e isso afeta a eficiência das obras”, destacou.

Por fim, Pepín instou as autoridades a reforçarem a supervisão técnicae a garantirem que todos os projetos cumpram as normas de segurança e manutenção exigidas. "O país precisa de planeamento e continuidade técnica para evitar falhas nas infraestruturas em emergências como a de Melissa", concluiu.

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Aylin Valentin
Aylin Valentin
Jornalista apaixonado por investigação e comprometido com as boas práticas do jornalismo, focado em reportar com responsabilidade, ética e veracidade para contribuir para uma sociedade mais consciente e bem informada.
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