Ana María Ramos
El Inmobiliario
SANTO DOMINGO -Em 2024, os setores da Construção Civil e do Imobiliário mantiveram sua liderança como principais motores da cadeia produtiva nacional, embora tenham enfrentado dificuldades que prejudicaram seu crescimento.
Desde altas taxas de juros e preços elevados de materiais de construção, passando por atrasos por parte de entidades governamentais na emissão de licenças, até escândalos envolvendo fraudes imobiliárias, esses foram alguns dos contratempos, e os números de progresso deverão terminar o ano moderados, de acordo com projeções de agências oficiais.
O relatório do Banco Central da República Dominicana referente a outubro aponta um crescimento de 4,7% na construção civil nos primeiros 10 meses do ano, com alguns especialistas projetando que o índice fechará entre 3,6% e 4,8%.
A Associação Dominicana de Construtores e Incorporadores Imobiliários (Acoprovi) e o economista Alejandro Arredondo citam o aumento dos preços dos materiais de construção, as altas taxas de juros, a lentidão dos processos burocráticos, especialmente na aprovação de licenças e no registro de projetos, e a disponibilidade limitada de mão de obra qualificada como alguns dos obstáculos a serem enfrentados em 2024.
Annerys Meléndez, presidente da associação, acrescenta que a desconfiança causada por casos de fraudes imobiliárias, em sua opinião, afetou a reputação do setor.

Annerys Meléndez, presidente da Acoprovi. (FONTE EXTERNA).
Segundo Alberto Bogaert, presidente da Associação de Agentes e Empresas Imobiliárias (AEI), as altas taxas de juros geraram uma diminuição na velocidade das aquisições imobiliárias, embora ele destaque que foi um ano de consolidação com a entrega de milhares de unidades habitacionais e o lançamento de projetos residenciais e turísticos.
Um motorista fundamental
Arredondo afirma que o setor da construção civil continua sendo um dos principais motores da economia do país, embora com números moderados em comparação aos anos anteriores, estimando um crescimento entre 3,6% e 4,8%.
Ele acredita que as taxas de juros ativas permaneceram acima de 14%. "Isso significa que o mecanismo de transmissão da Taxa Básica de Juros (MPR), que serve como referência, não conseguiu reduzir as taxas de juros nas instituições bancárias, encarecendo o financiamento para construtoras e compradores de imóveis e retardando a execução de novos projetos residenciais e comerciais", explica.

Alejandro Arredondo, economista. (Fidel Pérez/El Inmobiliario).
A esses fatores somam-se o acesso limitado ao financiamento para pequenos construtores, as deportações de haitianos sem documentos e a apresentação do projeto de Modernização Fiscal que, embora retirado do Congresso Nacional, "retardou a decisão sobre investimentos e a continuidade das obras de infraestrutura".
Progresso
A presidente da Acoprovi cita, no entanto, os avanços alcançados durante o ano, como o uso de novas tecnologias que melhoram a competitividade, a qualidade e a sustentabilidade da construção; políticas monetárias, como a liberação das reservas obrigatórias, recentemente anunciada, que, segundo ela, levam a melhorias no acesso à moradia e ao financiamento; e a aprovação de resoluções, regulamentos e leis que aprimoram o marco legal existente na construção e promovem a competitividade do setor.
Projeções
Alberto Bogaert prevê um mercado ativo até 2025, com uma economia estável na qual investimentos estrangeiros significativos continuarão a chegar a diferentes setores da economia.

Alberto Bogaert, presidente do AEI. (FONTE EXTERNA).
Arredondo estima um crescimento moderado de 4,8% a 5% para o setor da construção civil até 2025.
O especialista destaca que os motores desse crescimento serão principalmente projetos de infraestrutura pública, impulsionados por investimentos estatais em áreas-chave como transporte, saúde e energias renováveis.
“Espera-se também uma retomada na construção de moradias, devido à estabilização dos custos dos materiais e a uma possível redução das taxas de juros. Além disso, o setor imobiliário, especialmente o turístico, continuará sendo um foco importante, com novos empreendimentos residenciais e de lazer em resposta ao atual crescimento do setor turístico.”.
A Acoprovi continuará trabalhando para reduzir os tempos de processamento de licenças, expandir as iniciativas de treinamento e colocação profissional no setor e avançar rumo a um quadro legal que favoreça o acesso à moradia, com a aprovação de uma Lei de Locação atualizada e adequada.
Desafios
Para Arredondo, os desafios que o setor da construção civil enfrenta continuam sendo a incerteza global, os custos dos insumos e as restrições de acesso ao financiamento para pequenas e médias empresas. Ele acredita que o potencial de inovação e sustentabilidade será fundamental para atender às demandas do mercado e manter o dinamismo do setor em 2025.
De acordo com o presidente da Acoprovi, os objetivos são: acesso a mão de obra qualificada, melhoria da competitividade do setor, promoção de parcerias público-privadas que permitam um desenvolvimento mais equitativo e sustentável, e alcançar um equilíbrio entre o crescimento do setor e o respeito ao meio ambiente, incorporando mais tecnologias verdes.
Continuar a pressionar o Congresso Nacional para a aprovação do projeto de lei que regulamenta a intermediação imobiliária e os programas de capacitação da instituição são os desafios para o AEI em 2025.
Ajuste legal
Em 27 de novembro, o Conselho Monetário autorizou o Banco Central a liberar RD$ 35 bilhões de reserva legal para novos empréstimos destinados à aquisição de imóveis, empréstimos provisórios e construção de casas, com taxa de juros de até 10% ao ano.
Artigo originalmente publicado na 9ª edição da revista impressa El Inmobiliario atualmente em circulação.
Foto da capa: Projeto de villa em Vistacana.


