Finanças e saúde mental se influenciam mutuamente: um relatório do economista Emilio Hungría revela que problemas de saúde mental aumentam o risco de contrair dívidas estressantes
SANTO DOMINGO. – Em qualquer estrutura bem projetada, nenhuma viga sozinha suporta o peso do edifício; a carga é distribuída entre vários elementos, de modo que, se um deles enfraquecer ou falhar, o todo não desabará.
Essa mesma lógica, aplicada às finanças pessoais, explica por que é aconselhável distribuir as dívidas e os compromissos financeiros em vez de concentrá-los em um único ponto de apoio, pois quando todo o ônus recai sobre um cartão, um empréstimo ou uma única renda, qualquer imprevisto pode comprometer todo o sistema.
A verdadeira questão por trás dessa metáfora é a gestão responsável e a diversificação da dívida, um tema que a Superintendência de Bancos colocou no centro de sua política de educação financeira.
A Escola de Superintendência oferece um curso dedicado precisamente à identificação dos diferentes tipos de dívida, estratégias para pagá-las, como negociar com credores e maneiras de quebrar o ciclo do endividamento, um recurso concebido para aqueles que sentem que o peso de seus compromissos não lhes permite mais seguir em frente.
A esse esforço soma-se a campanha "Organize seu bolso", apresentada pela Superintendência de Bancos como uma iniciativa para fortalecer a capacidade da população de planejar seu orçamento e enfrentar imprevistos com as ferramentas adequadas.
Por meio do aplicativo ProUsuario, do Escritório de Serviços e Proteção ao Usuário, qualquer pessoa pode acessar um planejador financeiro, consultar seus empréstimos e cartões de crédito gratuitamente e de forma consolidada, e receber um diagnóstico do seu nível de endividamento pessoal, algo como uma inspeção estrutural do próprio bolso antes que o problema surja.
O Superintendente de Bancos, Alejandro Fernández W., enfatizou em suas palestras sobre educação financeira a importância de definir claramente os objetivos pessoais, pois isso dá sentido ao esforço e aos sacrifícios necessários para organizar as finanças.
É, em essência, o equivalente ao plano que todo mestre de obras elabora antes de erguer a primeira coluna: sem um objetivo claro, distribuir a carga entre várias vigas pode se tornar um simples rearranjo da mesma carga.
Mas a tranquilidade financeira não é apenas uma questão de aritmética. A própria Superintendência de Bancos, por meio do ProUsuario, reconheceu que a situação das finanças pessoais influencia decisivamente o bem-estar emocional, e que a relação também funciona no sentido inverso.
Um relatório elaborado pelo economista Emilio Hungría, intitulado "Mente Saudável em um Bolso Saudável", documenta que pessoas com dificuldades de saúde mental são muito mais propensas a contrair dívidas que geram um estado de estresse prolongado, confirmando que a base emocional e a base financeira de uma pessoa se sustentam mutuamente.
Vista dessa forma, distribuir as dívidas por várias vigas de sustentação não é apenas uma técnica de engenharia financeira: é também uma maneira de aliviar o fardo que se acumula na mente e no corpo quando todo o estresse econômico recai sobre uma única pessoa ou uma única fonte de renda.
Organizar o orçamento, conhecer o próprio nível de endividamento e negociar com os credores em tempo oportuno não elimina as dificuldades, mas distribui o seu peso, e uma estrutura, seja financeira ou emocional, sempre se mantém melhor quando o fardo está bem distribuído.
Leituras recomendadas:




