SANTO DOMINGO - A baixa matrícula em Engenharia Civil na República Dominicana não reflete apenas uma tendência educacional, mas também um problema estrutural que afeta diretamente o setor da construção civil, um dos motores do crescimento econômico nacional.
Dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (ONE) indicam que apenas 8.995 estudantes estão matriculados em cursos de Engenharia Civil no país, representando aproximadamente 1,7% do total de universitários. Esse número tem gerado preocupação em setores relacionados ao desenvolvimento urbano, infraestrutura pública e mercado imobiliário.
Especialistas alertam que, se a tendência continuar, a República Dominicana poderá enfrentar uma escassez de profissionais capacitados para projetar, supervisionar e executar projetos de infraestrutura nos próximos anos, o que afetaria projetos de habitação, turismo, rodovias e desenvolvimento urbano.
Salários e falta de oportunidades
De acordo com o engenheiro Teodoro Tejada, ex-presidente do Colégio Dominicano de Engenheiros, Arquitetos e Agrimensores (CODIA), uma das principais razões que explicam o limitado interesse por essa carreira é o salário precário enfrentado por muitos profissionais da área.
“Os engenheiros civis são os profissionais que projetam e supervisionam pontes, estradas, edifícios e projetos de infraestrutura essenciais para o país. No entanto, existem profissionais no setor público que ganham entre 25.000 e 50.000 pesos, salários que não correspondem à responsabilidade ou ao nível de formação que a profissão exige”, afirmou.
De acordo com o líder sindical, essas condições de trabalho levaram muitos jovens a optar por outras áreas de estudo com melhores perspectivas econômicas, reduzindo o fluxo de novos profissionais para o setor da construção civil.
Obstáculos para jovens engenheiros
Tejada também destacou que os engenheiros recém-formados enfrentam dificuldades para acessar projetos públicos, especialmente nos processos de contratação e licitação.
Conforme explicou, muitos dos requisitos financeiros exigidos para participar em obras públicas são praticamente impossíveis de cumprir para profissionais que estão apenas a iniciar as suas carreiras.
“Muitos jovens não veem futuro na Engenharia Civil porque o sistema de licitações públicas dificulta a participação de profissionais recém-formados em concursos ou a aquisição de experiência em projetos de construção”, disse ele.
Em sua visão, essa situação cria um círculo vicioso de exclusão: jovens engenheiros não podem participar de projetos devido à falta de experiência ou apoio financeiro, mas, ao mesmo tempo, não conseguem adquirir experiência porque não têm acesso a oportunidades de emprego.
Impacto no setor da construção
O setor da construção civil depende muito de profissionais especializados para garantir a segurança estrutural, o planejamento urbano e a supervisão técnica das obras.
A redução nas matrículas em Engenharia Civil poderá se traduzir, a médio prazo, em maior competição por profissionais qualificados, aumento dos custos de mão de obra e atrasos na execução de projetos.
Além disso, especialistas alertam que a falta de profissionais qualificados pode afetar a qualidade da construção e o cumprimento das normas técnicas, especialmente em um país onde o desenvolvimento imobiliário e turístico mantém um ritmo constante de expansão.
Um desafio para o desenvolvimento do país
A Engenharia Civil faz parte das carreiras STEM, uma sigla para (ciência, tecnologia, engenharia e matemática), consideradas internacionalmente fundamentais para o crescimento econômico e o desenvolvimento tecnológico.
Quando a participação dos alunos nessas áreas é limitada, os efeitos podem ser sentidos anos depois em setores-chave como infraestrutura, transporte, habitação e planejamento territorial.
Segundo a CODIA, reverter essa tendência exige a melhoria das condições de trabalho no setor, a revisão dos mecanismos de contratação pública e o fortalecimento das oportunidades para jovens engenheiros, com o objetivo de garantir a sustentabilidade do desenvolvimento urbano e de infraestrutura no país.
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