SANTIAGO - Alejandro Fondeur, presidente da APROCOVICI, Associação de Incorporadoras e Construtoras de Cibao, acredita ser necessário estudar medidas não apenas em favor das incorporadoras, mas também da população que adquire imóveis, considerando os aumentos excessivos nos preços dos materiais de construção.
Fondeur recomenda a criação de uma agenda conjunta entre autoridades, industriais, banqueiros, importadores e fornecedores, para explorar estratégias que ajudem a gerir os efeitos da espiral ascendente dos preços dos materiais de construção.

“Embora a compra de uma casa seja um investimento que se valoriza, o aumento dos preços pode se tornar um obstáculo que limita o seu acesso”, explicou o engenheiro sindical.
Ele acrescenta que abordar a situação enfrentada pelo setor da construção exige um amplo apelo à ação que, numa perspectiva transversal, explore uma agenda mínima que inclua o acesso a financiamento com taxas preferenciais para construtores e compradores, incentivos para reduzir os custos de importação de matérias-primas, a conceção de instrumentos financeiros que ofereçam segurança a promotores imobiliários e compradores face a situações contingenciais, entre outras medidas.
Ele opinou que, desde o início da pandemia, os custos dos principais insumos envolvidos na construção de moradias têm apresentado flutuações ascendentes na República Dominicana, destacando dados do Escritório Nacional de Estatísticas (ONE), que mostram que, de abril de 2020 a setembro de 2022, os preços de alguns materiais acumularam aumentos líquidos entre 72,96% e 36,27%.
Ele observou que “as reduções de preço ocorridas entre agosto e setembro são mínimas em comparação com os altos custos que vários materiais têm experimentado desde 2020; especialmente aqueles que são pilares na construção de moradias.
“Portanto, é importante buscar alternativas, já que o setor continua atravessando um momento de incerteza em relação aos preços”, sugeriu o presidente da APROCOVICI.
Os principais aumentos de preços foram registrados na madeira, nas barras de aço e nos materiais elétricos, e mesmo com a redução registrada entre agosto e setembro de 2022 de -5,96%, -5,52% e -1,32%, respectivamente, houve um aumento líquido acumulado em dois anos de 72,96% no preço da madeira, 69,51% no preço das barras de aço e 63,3% nos materiais elétricos.
Uma situação semelhante ocorreu com outros materiais, que, apesar de apresentarem uma redução entre agosto e setembro de 2022 (tubos de PVC -17,4%, tintas -0,75% e revestimentos -0,43%), terminaram com um aumento líquido acumulado em dois anos de 59,4%, 44,94% e 39,03%, respectivamente, acrescentou.
A este cenário somam-se materiais de construção essenciais que têm registado um aumento constante desde abril de 2020, como o cimento, que acumulou um aumento de 36,27% até setembro de 2022, os agregados, com 37,03%, e as janelas, com 36,87%.
Outros fatores que afetam o custo final da habitação
Além dos custos diretos das matérias-primas, existem outros fatores que pressionam os preços dos imóveis, como o aumento das taxas de juros dos empréstimos provisórios, que nos últimos meses registraram um aumento médio de 35,63%, o que elevou o custo da construção de moradias em 1,61% e, como não se trata de um custo direto, não é refletido nas estatísticas do Índice de Custo Direto da Construção de Moradias (ICDV).
Outro fator é o aumento dos salários, já que, segundo o ONE, Instituto Nacional de Estatística, o salário mínimo para trabalhadores da indústria aumentou 21,75%, embora na realidade os aumentos nessa área tenham sido superiores a 25%.




