Embora a taxa de informalidade tenha diminuído 1,4 ponto percentual, na Construção Civil ela se manteve em 85,4%, bem acima da média nacional de 54,1%.
SANTO DOMINGO– A taxa de desemprego aberto (SU1) ficou em 5% em 2025, com redução de 0,1 ponto percentual em relação a 2024, segundo dados da Pesquisa Nacional Contínua da Força de Trabalho (ENCFT), divulgados pelo Banco Central da República Dominicana (BCRD).
A agência informou que, durante 2025, o número médio de pessoas empregadas aumentou em 133.915 trabalhadores em relação ao ano anterior, elevando o total para 5.139.951 pessoas empregadas no ano. Esse crescimento concentrou-se no emprego formal, que contribuiu com 131.901 novos postos de trabalho, o equivalente a 98,5% do aumento total.
A boa notícia é que a taxa média de informalidade caiu para 54,1%, aproximadamente 1,4 ponto percentual abaixo dos 55,5% registrados em 2024. No quarto trimestre do ano (outubro a dezembro), a informalidade ficou em 54,2%, cerca de 0,6 ponto percentual a menos do que no mesmo período do ano anterior.
Ao final do quarto trimestre, o emprego total atingiu 5,1 milhões de pessoas, representando um aumento anual de 117.948 postos de trabalho líquidos. Desse total, 72,7% eram trabalhadores formais e 27,3% eram trabalhadores informais, segundo comunicado do Banco Central.
O relatório também observa que a taxa de emprego média foi de 62,9% e a taxa de participação geral de 66,2% durante o ano, e a taxa de subutilização prolongada (SU3) caiu para 9,2% até o final de 2025.
Segundo o Banco Central, a expansão do emprego formal contribuiu para a redução da informalidade, que atingiu o pico de 58,9% registrado durante a pandemia, e impactou a renda familiar proveniente do trabalho.
Construção: alto grau de informalidade
Dentro da estrutura do mercado de trabalho, o da construção civil mantém um dos níveis mais elevados de emprego informal, de acordo com dados da Pesquisa Nacional Contínua da Força de Trabalho (ENCFT) do Banco Central da República Dominicana.
No segundo trimestre de 2025, a taxa de informalidade na construção civil atingiu 85,4%, bem acima da média nacional de 54,1%. Isso significa que mais de oito em cada dez trabalhadores do setor atuam sem emprego formal integral, ou seja, sem acesso regular à previdência social ou a outros mecanismos de proteção.
A série histórica mostra uma ligeira tendência de queda desde 2021, quando a informalidade na construção civil atingiu 89,87%. Em 2022, caiu para 87,20%, em 2023 para 86,01% e em 2024 para 85,07%. No entanto, a redução tem sido gradual e o nível permanece estruturalmente alto.
Em termos de atividade econômica, o desempenho do setor em 2025 foi misto. Embora tenha registrado expansões ocasionais em alguns meses, os relatórios econômicos oficiais refletem que, no período de janeiro a setembro, a construção civil apresentou uma contração homóloga de 2,0%, sugerindo que o dinamismo produtivo não se traduz necessariamente em uma melhoria substancial na qualidade do emprego gerado.
Nesse contexto, embora o desemprego aberto nacional tenha fechado o ano em 5,0%, a situação na construção civil mostra que o desafio reside não apenas na criação de empregos, mas também no aumento do nível de formalização em um dos setores mais intensivos em mão de obra do país.
O setor da construção civil continua sendo um importante motor do mercado de trabalho, não apenas por sua capacidade de absorver mão de obra, mas também pelo peso que sua estrutura exerce sobre os indicadores nacionais de formalidade.
Com uma taxa de informalidade superior a 85%, seu desempenho influencia diretamente a qualidade média do emprego no país, para além do baixo nível de desemprego formal registrado em 2025.
As tendências recentes mostram ligeiras melhorias na taxa de informalidade setorial em comparação com anos anteriores, embora sem mudanças estruturais significativas. Isso sugere que, em um setor que apresenta forte dinamismo produtivo, o verdadeiro desafio é a transição para arranjos de trabalho mais formais e sustentáveis, em consonância com a estabilidade refletida em outros indicadores do mercado de trabalho.
Outras leituras recomendadas:
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