A arquiteta Idaliza Ureña alerta que o problema está no concreto, não na superfície.
SANTO DOMINGO. Infiltrações em residências tornaram-se uma das principais queixas na República Dominicana, especialmente após fortes chuvas ou furacões. A arquiteta Idaliza Ureña, especialista em soluções estruturais, alerta que esse problema compromete não apenas a infraestrutura, mas também a saúde das pessoas.
Ureña explicou que, muitas vezes, o problema é resolvido com soluções superficiais, como tinta ou revestimentos temporários, mas a causa principal está no concreto. "Não importa o quanto se aplique por cima, se o problema não for resolvido desde a base, o dano reaparecerá", observou ele.
De acordo com o arquiteto, o concreto age como uma esponja: se não for devidamente protegido desde o início do projeto, absorverá a umidade, que eventualmente se infiltrará por toda a estrutura.
Além da deterioração física, os vazamentos podem afetar a segurança estrutural dos edifícios. "Há também a questão da proteção do aço e da durabilidade da infraestrutura", alertou Ureña, que observou como até mesmo estruturas construídas recentemente apresentam sinais de desgaste causados pela umidade devido ao uso de materiais de baixa qualidade ou à má construção.
A especialista também criticou a falta de preparo de alguns incorporadores. “Há muita gente aqui que trabalha só por trabalhar, que só quer ganhar dinheiro e obter lucro rápido. Não pensam nas consequências que isso pode ter para o comprador”, afirmou. Essa prática, segundo ela, gerou desconfiança no setor imobiliário, onde os compradores enfrentam problemas poucos meses após a aquisição de um imóvel.
Ureña enfatizou que o problema não se restringe a uma área ou tipo de construção específico, mas ocorre em diversos contextos. "Várias pessoas podem confirmar isso", disse ela, referindo-se à frequência com que recebe relatos de vazamentos em projetos residenciais e comerciais. Para ela, a solução está na educação tanto de construtoras quanto de consumidores.
Ele também explicou que os corretores de imóveis enfrentam um dilema. “Um corretor vende um empreendimento dizendo ao cliente: ‘Esta é a casa dos seus sonhos, esta construtora é renomada’. Mas os problemas logo começam”, comentou. Isso afeta a credibilidade do setor e a confiança do comprador.
Uma história que se repete
Em meio a essa situação, muitas pessoas vivenciaram os efeitos dos vazamentos em primeira mão. Em um caso recente, após contratar um serviço para resolver o problema, a solução foi apenas temporária. "Tudo ficou molhado. Achei que a obra resolveria o problema, mas vazou novamente com a próxima chuva", relatou uma moradora afetada. Sua experiência reflete o que muitas famílias enfrentam que, após investirem em melhorias, se deparam com o mesmo problema novamente.
Situações como essa geram frustração, despesas adicionais e uma sensação de vulnerabilidade diante de eventos climáticos cada vez mais frequentes. “As pessoas pintam, impermeabilizam, mas em um ano precisam fazer tudo de novo. O problema persiste porque não está sendo resolvido na sua origem”, insistiu Ureña.
A arquiteta insiste que a prevenção deve começar durante a fase de construção. Para ela, a abordagem deve ser técnica e minuciosa, não apenas superficial. "Precisamos garantir que o concreto tenha as propriedades adequadas para resistir à umidade", explicou.
Como parte de seu compromisso com a qualidade, a Ureña tem promovido o uso de soluções inovadoras que atacam o problema pela raiz. No último ano, trabalhou com um produto de tecnologia cristalizada que age de dentro para fora do concreto para prevenir vazamentos. "Este produto realmente funciona para evitar o problema, principalmente do ponto de vista preventivo", afirmou.
O produto foi recentemente introduzido no país como uma alternativa técnica para melhorar a durabilidade das construções. "Ele é submerso em água e sai seco", explicou Ureña. Embora não seja uma solução milagrosa, representa um avanço significativo na luta contra os vazamentos que afetam milhares de dominicanos todos os anos.




