SANTO DOMINGO -O Comitê Institucional Codiano (CIC) denunciou ontem que funcionários do governo continuam a orquestrar "truques" para atrasar e impedir o pagamento de uma dívida de 385 milhões de pesos que o Estado mantém com 107 empreiteiras agrupadas nessa entidade.
A entidade declarou que, em vista das graves alegações, o atual presidente do Colégio Dominicano de Engenheiros, Arquitetos e Agrimensores (CODIA), Carlos Eligio Mendoza Diaz, solicitou uma reunião com o presidente Luis Abinader para informá-lo sobre as dificuldades enfrentadas pelos contratados da CIC no processo de cobrança.
Ele anunciou que o presidente incumbiu a ex-ministra de Obras Públicas, a engenheira Deligne Ascención, de apresentar uma solução, visto que cerca de oito funcionários de alto escalão não contribuíram em nada durante o período em que o presidente esteve no poder.

Os empreiteiros se reuniram com Deligne Ascención para coordenar uma solução para o não pagamento. (FONTE EXTERNA).
Os 107 empreiteiros afetados estão envolvidos em cerca de 143 projetos que foram concluídos e entregues a 14 instituições contratantes, e o Estado vem utilizando essas obras há muitos anos sem ter liquidado os custos do trabalho realizado.
“O engenheiro Ascención deve atentar para o fato de que as construtoras agrupadas na CIC denunciaram diversas manobras das instituições contratantes, que buscam justificar o não pagamento da referida dívida, alegando que os credores não cumprem os requisitos legais vigentes”, afirma a CIC em documento enviado ao El Inmobiliario.
Os contratados alegam que outras ações contra eles se referem ao envio de pedidos de pagamento ao Ministério das Finanças sem certos documentos que as instituições contratantes devem anexar para o processamento correto.
Os construtores da CIC também reclamaram que as instituições contratantes, em alguns casos, alegam o desaparecimento de documentos que deveriam estar em seus arquivos, mas que também não fazem a menor coordenação com o Tesouro para remediar suas próprias falhas.
“Os construtores foram acusados de não terem registrado seus contratos junto à Controladoria-Geral da República, argumento que carece de veracidade, visto que esse registro sempre foi de responsabilidade do órgão dirigente do Sistema Nacional de Controle Interno”, explicam.
Eles explicam que, de agosto de 1954 até 2007, esteve em vigor a Lei 3894, que, em seu artigo 27, determinava que "todo contrato que exigisse o desembolso de verbas públicas deveria ser registrado nos livros que a Controladoria mantém para tais fins".
Eles acrescentam que em 2007 foi promulgada a Lei 10-07, "que no parágrafo 3 do artigo 27 estabelece que a responsabilidade pelo registro dos contratos de construção cabe a uma Unidade Administrativa Técnica da Controladoria que opera em cada instituição contratante".
“Conclui-se que todos os empreiteiros de obras públicas devem ter seus contratos registrados, a menos que a Controladoria não tenha cumprido a lei ao ordenar o pagamento do adiantamento inicial e/ou do volume, pelo qual os credores não devem arcar com qualquer responsabilidade.”.
Eles também destacam que outro aspecto legal a ser considerado é que a Lei 340-06 sobre Compras e Contratos Públicos não pode ser aplicada à maioria das obras com dívidas antigas a serem cobradas, uma vez que foram contratadas antes da promulgação dessa legislação.
Os executivos da CIC expressaram a esperança de que, com o fortalecimento de Ascención, "o nó górdio que as instituições contratantes criaram para dificultar o pagamento de dívidas antigas a empreiteiras de obras públicas seja desatado".




