SANTO DOMINGO- 70% das reclamações apresentadas ao Instituto Nacional de Proteção do Consumidor (Proconsumidor) nos últimos dois anos foram motivadas pelo aumento aplicado a projetos habitacionais, afirmou ontem o diretor do órgão, Eddy Alcántara.
Ele explicou que os casos mais frequentes recebidos por essa instituição estão relacionados à comercialização duplicada, defeitos de construção e sobrevalorização do índice de preços ao consumidor no valor dos imóveis.
Em entrevista ao programa "El Día", transmitido pela Telesistema, Alcántara observou que a Proconsumidor recebeu mais de 1.100 reclamações dessa natureza em dois anos, das quais mais de 70% foram referentes a aumentos nos custos de moradia.
Ele esclareceu que, em casos de fraude de qualquer tipo, a jurisdição passa a ser dos tribunais criminais.
"Setenta por cento dessas reclamações se devem aos aumentos, e recebemos centenas de reclamações e denúncias que não conseguimos contabilizar estatisticamente porque se enquadram em classificações puníveis comuns, ou seja, quando falamos de fraude, encaminhamos ao Ministério Público, que é quem deve agir de acordo", indicou o funcionário.
Ao se referir aos aumentos no custo da habitação, sejam eles estipulados ou não em contrato entre o fornecedor e o comprador, Alcántara especificou que tal aumento deve estar vinculado aos indicadores estabelecidos pelo Escritório Nacional de Estatísticas (ONE).
"Quando estipulado, deixamos claro que, se o consumidor pretende assumir o valor conforme estipulado no contrato, deve ser o aumento correspondente à inflação estabelecida pela ONE para o restante da construção do valor total do imóvel, pois muitas vezes querem aplicar um aumento quando a construção ainda está prevista para uma data específica e, no momento da notificação do aumento, nem mesmo a primeira viga foi colocada", destacou.
Ele acrescentou que 90% das reclamações recebidas pela Proconsumidor foram resolvidas por meio de conciliação.
"Estatisticamente, a Proconsumidor tem cerca de 96% dessas decisões a favor dos consumidores, porque muitas vezes eles tentam aplicar um aumento desproporcional de forma abusiva, o que às vezes não está estipulado no contrato e, portanto, não pode ser incluído", explicou ele.
Eddy Alcántara explicou que a Associação Dominicana de Construtores e Promotores de Imóveis (Acoprovi) é a instituição que levou o menor número de casos ao Proconsumidor e, dos que chegaram por esse canal, 95% foram conciliados.
"Há poucos casos que vieram da Acoprovi porque temos um comitê que discute os mecanismos que precisam ser usados nesses casos", concluiu ele.




