Página inicialnacionaisna República Dominicana: uma análise das principais falhas do sistema...

Apagões nacionais na República Dominicana: uma análise das principais falhas do sistema elétrico nos últimos cinco anos

SANTO DOMINGO. Nos últimos cinco anos, a República Dominicana vivenciou uma série de apagões que evidenciaram desafios técnicos, de gestão e de resiliência no Sistema Elétrico Interligado Nacional (SENI). Embora a frequência de blecautes generalizados tenha diminuído após reformas anteriores, os eventos recentes reacenderam as preocupações públicas e políticas sobre a estabilidade energética.

2020: déficits de geração e apagões prolongados

Segundo informações da DR1 News, ocorreram extensos cortes de energia entre agosto e setembro de 2020 devido a um déficit de geração superior a 1.200 MW dos 2.461 MW demandados pelo Sistema Interligado Nacional (SENI). Esse desequilíbrio levou a desligamentos programados e interrupções no fornecimento de energia em diversas regiões do país.

Durante esse período, meios de comunicação especializados indicaram que várias centrais térmicas e de ciclo combinado estavam operando abaixo da capacidade ou fora de operação, deixando o sistema vulnerável a aumentos na demanda, especialmente durante os horários de pico de consumo.

Especialistas do setor atribuíram esse episódio a fragilidades no planejamento da geração de energia e a falhas operacionais no gerenciamento da curva de demanda do sistema.

2021–2024: Períodos de estabilidade parcial e desafios operacionais

Em 2021, segundo a DR1 News, a disponibilidade do serviço de eletricidade melhorou significativamente, com cerca de 85,7% dos domicílios dominicanos recebendo energia entre 20 e 24 horas por dia, representando um dos períodos mais estáveis ​​da última década.

No entanto, o mesmo relatório observou que, apesar da estabilidade geral, a SENI continuou a enfrentar interrupções regionais e breves apagões localizados, em muitos casos ligados a falhas em linhas de transmissão ou subestações.

Junho de 2024: Reconhecimento oficial das falhas técnicas

Anos depois, em junho de 2024, o presidente Luis Abinader declarou publicamente que os apagões persistentes não eram mais resultado de problemas financeiros dentro do sistema, mas sim de falhas técnicas no Sistema Interligado Nacional (SENI). Segundo publicações do Dominican Today, ele afirmou que não havia “apagões financeiros” e que as interrupções registradas eram devidas a falhas operacionais.

Essa declaração marcou uma virada na narrativa pública sobre a crise energética, concentrando o debate na necessidade de melhorias técnicas e de manutenção em toda a infraestrutura da SENI.

11 de novembro de 2025: Primeiro colapso generalizado em anos

Em 11 de novembro de 2025, o país sofreu um apagão generalizado que deixou toda a nação sem energia elétrica. A interrupção foi inicialmente atribuída a um incidente na subestação SPMI de 138/69 kV e na linha SPM–Cumayasa de 138 kV, que causou uma reação em cadeia com a paralisação de várias unidades geradoras.

Esse evento foi descrito por especialistas do setor como uma das falhas mais significativas do Sistema Interligado Nacional (SENI) nos últimos anos, devido ao efeito dominó causado pela desconexão de geradores e sistemas de transmissão em questão de segundos.

Impactos relatados em 2025

  • Mobilidade urbana: o serviço de metrô de Santo Domingo e outros sistemas de transporte público foram temporariamente interrompidos.
  • Serviços essenciais: hospitais e centros de saúde ativaram geradores de reserva.
  • Caos no trânsito: semáforos com defeito causaram congestionamentos em diversas cidades.
    Analistas descreveram o apagão como um alerta sobre a necessidade de aumentar o investimento em transmissão de energia, coordenação interinstitucional e manutenção preventiva.

23 de fevereiro de 2026: Novo apagão e falhas de transmissão

O Ministro de Energia e Minas, Joel Santos, explicou em comunicado oficial da ETED que os protocolos de emergência do SENI foram imediatamente ativados para estabilizar a rede e restabelecer gradualmente o fornecimento de energia. Foi oficialmente divulgado que o restabelecimento inicial atingiu 30% na tarde do mesmo dia, priorizando serviços essenciais e áreas críticas. 

Medidas de resposta em 2026 (ETED)

  • Ativação dos protocolos de emergência SENI desde o primeiro minuto da falha.
  • Coordenação com os centros de controle de energia para restabelecer gradualmente o serviço.
  • Prioridade para hospitais, água potável e sistemas de transporte. (Declaração oficial da ETED, 23 de fevereiro de 2026)

Causas recorrentes e fatores técnicos

Especialistas do setor têm reiteradamente apontado que:

  • A vulnerabilidade da SENI não depende apenas das centrais geradoras, mas da interligação entre geração, transmissão e distribuição.
  • Falhas em linhas de transmissão críticas, como a Hainamosa–Villa Duarte, podem desencadear desconexões em cadeia se não houver mecanismos de isolamento rápido.
  • Investimentos em manutenção preventiva e modernização são essenciais para reduzir a fragilidade do sistema.

Esta análise coincide com publicações do Diario Libre e de outros meios de comunicação especializados, que têm enfatizado a importância de abordar os problemas estruturais e não apenas os cíclicos para garantir um fornecimento de energia confiável.

Impactos socioeconômicos cumulativos

Os apagões de 2020, 2025 e 2026 tiveram efeitos concretos:

  • Interrupções prolongadas nos serviços básicos em diversas províncias.
  • Interrupção do transporte público urbano.
  • Deslocamento de atividades econômicas e produtivas.
  • Crescente dependência de geradores de reserva em residências e empresas.

Percepção pública e crítica política

Organizações da sociedade civil, partidos políticos e setores empresariais criticaram o planejamento e a resposta do Estado a esses eventos, exigindo maior transparência na publicação de relatórios técnicos e estratégias estruturais para reduzir as vulnerabilidades.

Além disso, declarações de líderes políticos instaram o Governo a acelerar os investimentos para modernizar o Sistema Nacional Interligado (SENI), fortalecer a resiliência climática do sistema e melhorar a comunicação oficial em tempos de crise.

Leituras recomendadas:

Seja o primeiro a saber das notícias mais exclusivas

imagem_local
Luisa Saldaña
Luisa Saldaña
Jornalista com experiência em mídia digital e impressa. Estudante de Direito com interesse em desenvolvimento econômico e questões que conectam negócios, cidade e sociedade. Para mim, escrever é uma forma de investigar e compreender o mundo ao nosso redor.
Artigos relacionados
Anúncio Banner Coral Golf Resort SIMA 2025
Anúncio imagem_local
Anúncioimagem_local