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A economia da República Dominicana cresce quase 4% em meio à crise global, afirma o Ministério das Finanças

O governo mantém as expectativas de crescimento apesar do impacto do petróleo e destaca o aumento da arrecadação de impostos e do investimento estrangeiro

SANTO DOMINGO – A economia dominicana continua demonstrando resiliência em meio a um cenário internacional adverso, com crescimento próximo a 4%, segundo o Ministro da Fazenda, Magín Díaz.

O funcionário indicou que manter esse nível de expansão seria um resultado positivo, dadas as condições atuais, marcadas pela volatilidade do mercado e pelo aumento dos preços do petróleo.

Ele explicou que o desempenho econômico contribuiu para um aumento na arrecadação de impostos durante o primeiro trimestre, também impulsionado por fatores externos, como os altos preços internacionais de alguns produtos, incluindo minerais.

“Não há mágica na arrecadação de impostos: ela depende do crescimento econômico e da eficiência administrativa”, disse ele, referindo-se ao papel da administração tributária e a ferramentas como a faturação eletrónica.

Em relação ao contexto externo, ele reiterou que a alta dos preços do petróleo representa um choque significativo para um país importador como a República Dominicana, com efeitos diretos e indiretos sobre os preços.

O governo, disse ele, optou por uma política de ajustes graduais nos preços dos combustíveis, combinada com subsídios. Atualmente, os aumentos de preço acima de US$ 74 por barril estão sendo cobertos, embora ele tenha alertado que essa medida poderá ser revista caso os preços ultrapassem consistentemente os US$ 100.

Ele também destacou a solidez das reservas internacionais e a estabilidade do sistema financeiro, bem como a chegada de investimento estrangeiro direto, que ultrapassou US$ 1,5 bilhão no primeiro trimestre.

“O governo não deve se preocupar, deve agir”, afirmou ele, em entrevista ao programa Hoy Mismo, enfatizando que a estratégia consiste em monitorar constantemente a situação e tomar decisões flexíveis em resposta à evolução da crise.

Eletricidade e subsídio

Magín Díaz explicou que a decisão de tornar o subsídio de eletricidade transparente nas faturas dos usuários responde à necessidade da população de conhecer o custo real da energia.

O funcionário afirmou: "O Governo decidiu não repassar integralmente o custo da energia para a tarifa de eletricidade", explicou, observando também que é positivo que os cidadãos possam ver o valor real refletido em sua conta.

Nos últimos meses, os usuários têm recebido o valor correspondente ao subsídio em suas contas, informação que causou preocupação na população.

O custo político da eletricidade

O funcionário observou que as tarifas de eletricidade têm sido historicamente um "preço político", com longos períodos de congelamento. Ele citou que entre 2004 e 2011 elas permaneceram praticamente inalteradas, depois aumentaram devido a compromissos com o Fundo Monetário Internacional e foram congeladas novamente entre 2011 e 2022.

Segundo ele, essa política gerou atrasos acumulados no setor, agravados pelo fato de o sistema elétrico cobrar em pesos, mas pagar grande parte de seus custos em dólares, o que introduz pressões adicionais.

No entanto, Díaz salientou que, no contexto atual, o impacto no setor tem sido limitado, explicando que os custos de geração não aumentaram de forma generalizada porque alguns insumos, como o carvão, têm preços fixos para todo o ano.
"Portanto, o déficit do setor permanece relativamente dentro do orçamento", afirmou.

Subsídios e gestão de crises

Em resposta ao impacto da crise internacional sobre os preços, o governo dominicano optou por uma estratégia de subsídios direcionados, conforme explicou o Ministro da Fazenda.

O funcionário observou que o aumento dos custos, especialmente dos combustíveis, terá efeitos inevitáveis ​​na economia. "Isso será sentido", afirmou, indicando que o governo só pode mitigar parcialmente o impacto.

A esse respeito, ele explicou que uma parcela significativa dos preços dos combustíveis é atualmente subsidiada, com um custo semanal que pode chegar a cerca de 500 milhões de pesos, e que, se essa medida não for implementada, os preços poderão aumentar repentinamente em 50 a 60 pesos.

Ele também informou que está sendo mantido um programa de subsídio a fertilizantes, cujo custo anual pode variar entre 5 e 6 bilhões de pesos, com o objetivo de conter os preços dos alimentos.

No caso dos transportes, o governo destinou aproximadamente 800 milhões de pesos em apoio, partindo do princípio de que subsídios direcionados são mais eficientes do que subsídios generalizados.
“O objetivo é proteger os 20% ou 30% mais pobres e a classe média vulnerável. É impossível proteger todos ao mesmo tempo”, afirmou.

O ministro também salientou que, à medida que o país avança em direção a níveis de renda média, o grupo de pessoas que necessitam de apoio aumenta, elevando a pressão sobre as finanças públicas.

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Solangel Valdez
Solangel Valdez
Jornalista, fotógrafa e especialista em relações públicas. Aspirante a escritora, leitora, cozinheira e viajante.
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