A organização acredita que jovens, famílias de baixa renda e trabalhadores informais continuam enfrentando dificuldades para acessar crédito imobiliário formal na República Dominicana
SANTO DOMINGO – Comprar moradia acessível continua sendo um desafio para milhares de dominicanos. Embora esse segmento mantenha alta demanda no mercado imobiliário, o acesso ao financiamento formal ainda enfrenta obstáculos relacionados às taxas de juros, aos requisitos de crédito e à realidade econômica de grande parte da população.
A informação foi divulgada pela Associação Popular de Poupança e Empréstimo (APAP), que destacou que as famílias de baixa renda continuam sendo um dos setores com maiores dificuldades de acesso a empréstimos hipotecários ou financiamento para reformas residenciais.
Sergey Forcade Fadeeva, Vice-Presidente Executivo de Produtos, Digital e Experiência do Cliente da APAP, explicou que o mercado de hipotecas passou por mudanças significativas nos últimos anos, especialmente no perfil daqueles que conseguem acessar o sistema financeiro formal.

O desafio de financiar moradias acessíveis
Segundo a associação bancária, ampliar o acesso a moradias populares exigirá mecanismos que tornem o sistema de financiamento atual mais flexível e inclusivo.
Entre as condições propostas pela entidade, encontram-se fundos especiais ou linhas subsidiadas que permitem taxas competitivas, bem como processos mais ágeis para a concessão de subsídios e títulos vinculados à aquisição de habitação.
A associação também destacou a necessidade de aumentar a oferta de projetos habitacionais no interior do país, onde o déficit habitacional continua sendo mais estrutural.
Outro desafio destacado pela APAP é a adaptação dos modelos de avaliação de crédito a trabalhadores com rendimentos mistos ou informais, uma realidade presente em grande parte da economia dominicana.
Nesse sentido, a entidade acredita que existem oportunidades para ampliar o acesso a hipotecas por meio de produtos financeiros desenvolvidos para esses segmentos, planos de poupança programados e modelos de avaliação que sejam alternativas ao extrato bancário tradicional.
Uma demanda que continua a crescer
O executivo também indicou que o mercado demonstra uma maior procura por habitações de baixo e médio custo, uma tendência que tem vindo a direcionar parte do interesse para imóveis mais funcionais e economicamente acessíveis.
A entidade também entende que o acesso a esse tipo de moradia continuará sendo um dos principais desafios do mercado imobiliário dominicano, especialmente em um contexto em que o financiamento permanece crucial para a conclusão da compra de um imóvel.
Além da aquisição de imóveis residenciais, a empresa considera viável continuar promovendo o financiamento para a melhoria de propriedades existentes, uma vez que esse segmento envolve clientes que já possuem garantias reais e um histórico de pagamentos comprovado.
Os jovens estão perdendo terreno no mercado de hipotecas
Segundo dados consultados na Superintendência de Bancos (SB), uma das principais mudanças identificadas pela entidade financeira foi a diminuição do número de jovens com menos de 35 anos na carteira de crédito imobiliário.
Segundo a entidade, o aumento das taxas e as maiores exigências financeiras tiveram um impacto maior nos segmentos que apresentam menor estabilidade econômica ou dificuldades em consolidar o histórico de crédito e a capacidade de poupança.
“Os segmentos mais sensíveis foram aqueles com as maiores fragilidades estruturais em seu perfil de crédito”, disse Forçade.
Atualmente, adultos entre 31 e 45 anos representam o perfil predominante do comprador de hipotecas, concentrando 45,3% dos devedores individuais do sistema financeiro no final de 2025, de acordo com o SB.
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