SANTO DOMINGO - Várias famílias denunciaram um golpe imobiliário que teria sido aplicado na compra de apartamentos em um prédio localizado no bairro Renacimiento, no Distrito Nacional. Algumas delas foram despejadas após terem pago por esses apartamentos.
O engenheiro Jorge Freddy Figuereo de los Santos é o construtor identificado como responsável pelos acontecimentos e que supostamente cometeu uma dupla hipoteca, contraindo dívidas que não conseguiu pagar, razão pela qual alegadamente perdeu a torre Cofisa, localizada na rua Manolo Tavarez Justo, na capital dominicana.
Uma investigação apresentada na noite de segunda-feira, 15 de janeiro de 2024, no programa “Report with Alicia Ortega”, revelou que de los Santos, apesar de ter um contrato de empréstimo com garantia hipotecária com o Banco de Reservas no valor de 62,5 milhões de pesos, contraiu mais 4 empréstimos, totalizando mais de US$ 5 milhões, com a empresa comercial TLI Investments, supostamente para finalizar a obra.
“E, ao receber esses 4 empréstimos e não conseguir pagá-los, ele perdeu a torre em virtude de uma decisão judicial que resultou no despejo do Sr. Julio Colón, que morava na torre 8A”, revelou ao El Informe o advogado José Aníbal Guzmán, representante legal das vítimas.
Segundo os documentos, o contrato entre a Reservas e o engenheiro de los Santos foi assinado em 6 de julho de 2012, estipulando que o devedor não poderia hipotecar o imóvel a outra entidade financeira, empresa ou associação sem o prévio conhecimento por escrito do banco.
De los Santos havia contraído empréstimos de outra instituição financeira, apesar de possuir uma cláusula de hipoteca no registro de títulos do Distrito Nacional, de acordo com documentos apresentados no programa mencionado.
O empréstimo inicial à financeira foi concedido, segundo os documentos, em 1º de dezembro de 2014, tendo Jorge Freddy Figuereo de los Santos como devedor, autorizando o registro de uma hipoteca convencional de primeira ordem no valor superior a US$ 2 milhões, uma segunda em 6 de agosto de 2015 no valor de US$ 800 mil, outra em 12 de maio de 2016 no valor de US$ 1 milhão e a quarta hipoteca em 3 de fevereiro de 2017 no valor superior a US$ 1,5 milhão.
Os reclamantes
Marcelino Báez, um major-general reformado das forças armadas, e sua esposa, Delma Matos, relataram que em 2014 pagaram ao engenheiro 9,5 milhões de pesos pelo apartamento 2B na torre mencionada. Inicialmente, Figuereo de los Santos teria dito a eles que o apartamento custava cerca de US$ 296.000, mas que reduziria o preço se o pagamento fosse feito em dinheiro.
A construtora havia prometido que o imóvel seria entregue em 2015, mas, cansados de esperar, eles decidiram se mudar em 2020, tendo que terminar parte da obra. Seis meses depois, foram despejados.
Julio Colón, por sua vez, explicou que, após trabalhar nos Estados Unidos por mais de 40 anos, comprou o apartamento 8A na torre Cofisa por 8 milhões de pesos. Deu uma entrada de RD$ 650.000 em 26 de julho de 2013 e quitou o restante em 2018. “Eu disse a ele que precisávamos do apartamento, ele concordou, me deu as chaves, passamos o Natal com a família, tudo estava perfeito”, afirmou o interessado.
Colón adquiriu um segundo apartamento, o 10B, para o filho por RD$ 8 milhões, confiante de que tudo estava em ordem com o imóvel. “Quando o compramos, o financiamento foi feito pelo Banco de Reservas, e isso nos deu segurança porque é um banco estatal.”.
Clara Castro, esposa de Colón, relata que o despejo foi frustrante e que eles entraram com um processo contra o engenheiro para tentar recuperar o investimento.
Em 4 de junho de 2014, Raúl Almonte e sua família adquiriram um apartamento na torre Cofisa. “Compramos de um engenheiro chamado Jorge Freddy de los Santos, que nos vendeu uma unidade de cerca de 240 metros quadrados por um total de 8,6 milhões de pesos”, explicou.
Ele disse que pagou inicialmente RD$ 4,7 milhões pela unidade 7B. Relatou que o engenheiro lhes disse que a entrega seria no ano seguinte, data que foi sendo adiada "com histórias e contos", até que eles souberam, por meio de seu advogado, da situação em que a torre estava localizada.
Eles entraram com um processo, mas a sentença declarou Figuereo de los Santos inocente de fraude, exonerando-o de toda responsabilidade criminal, embora tenha sido condenado a pagar a quantia de RD$ 4,7 milhões a Almonte e RD$ 1,5 milhão como indenização por danos.
Outra moradora afetada é Elsa de Jesús, que assinou um contrato com o engenheiro em junho de 2014 para vender sua casa de dois andares em troca de um apartamento em uma de suas torres. “Vi os dois anos passarem; sempre passava por lá e observava o andamento da construção. Cerca de cinco anos depois, bateram na minha porta e ouvi uma comoção envolvendo três ou quatro veículos. Entregaram uma carta nos chamando de invasores e nos dando três dias para desocupar a casa.”.
Brasil Jiménez, advogado da parte afetada, relatou que descobriram que o apartamento que correspondia a Jesús foi concedido à empresa TLI Investments e que a casa da senhora foi transferida para o nome de outra pessoa.
Fonte: The Report with Alicia Ortega, 15 de janeiro de 2024.




