No mercado imobiliário, o termo "comissão" tornou-se comum para se referir ao pagamento recebido por corretores de imóveis. No entanto, é mais do que apenas uma comissão; representa honorários profissionais decorrentes de sua atuação como consultores. Não se trata de uma gratificação ou um incentivo ocasional; é uma remuneração legítima por um serviço técnico, especializado e estratégico dentro do processo de comercialização de imóveis.
O setor imobiliário se apoia em dois pilares fundamentais: o incorporador e/ou proprietário e o corretor de imóveis. O corretor estrutura a estratégia de vendas, estuda o mercado, seleciona os clientes, coordena a documentação legal, conduz as negociações e garante um fechamento tranquilo. Ambos são essenciais para que o investimento se traduza em resultados.
O agente torna-se um consultor imobiliário por meio de formação profissional. Seu papel vai além da simples intermediação; ele oferece orientação técnica em avaliação de imóveis, análise de mercado, precificação, revisão de documentos, gestão de contratos, negociação, financiamento e fechamento de negócios. Sua formação contínua permite que ele auxilie tanto o proprietário quanto o comprador com bom senso, ética e responsabilidade.
Em novos projetos, o consultor posiciona o imóvel e estimula a demanda; em revendas, ele analisa a documentação, verifica o status do registro, orienta sobre o valor justo de mercado e mitiga riscos para ambas as partes. Ele também investe em marketing, cobre custos operacionais e gerencia riscos de reputação. Seu trabalho impacta diretamente a velocidade das vendas, a precisão da avaliação do imóvel e a redução de problemas jurídicos.
Portanto, é necessário cultivar uma cultura em que proprietários de imóveis, incorporadores e a sociedade compreendam que a chamada "comissão" constitui, na verdade, os honorários profissionais do consultor imobiliário. Não se trata de um custo adicional, mas sim de uma remuneração por uma gestão especializada que protege o patrimônio e gera valor. A parceria entre proprietário e consultor imobiliário deve ser consolidada como a força motriz do mercado, baseada na confiança e na geração de valor agregado.
Nesse contexto, o projeto de lei sobre corretagem imobiliária em tramitação no Congresso Nacional representa uma oportunidade para fortalecer o marco institucional do setor. As versões em discussão incluem regulamentações para contratos de corretagem e estipulam que os honorários devem ser acordados por escrito.
No entanto, além da liberdade contratual, o projeto deve ser categórico ao estabelecer que a comissão, devido ao que representa profissionalmente, não deve ser fixada em um valor inferior a 5% do valor do imóvel, percentual que se consolidou como prática padrão no mercado dominicano.
Historicamente, 5% tem servido como um parâmetro equilibrado que cobre custos operacionais, promoção, tempo de gestão e responsabilidade profissional. Estabelecer uma taxa mínima não elimina a negociação; protege a dignidade da profissão e impede a concorrência desleal baseada unicamente na redução de honorários.
Um mercado que compete unicamente por preço deteriora a qualidade do serviço. Em contrapartida, o estabelecimento de um padrão mínimo fortalece o profissionalismo e traz estabilidade ao setor. O consultor imobiliário não é um intermediário ocasional, mas um profissional estratégico para um mercado mais robusto, transparente e sustentável na República Dominicana
O setor imobiliário impulsiona o investimento, o desenvolvimento urbano e o crescimento econômico. É essencial cultivar uma cultura em que os corretores de imóveis sejam reconhecidos como profissionais estratégicos e em que seus honorários sejam protegidos como parte vital do equilíbrio e da sustentabilidade do mercado.
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